• Thiago Guimarães

Homem fraco tem medo de mulher forte


Percebo cada vez mais o crescimento do número de mulheres que reclamam da fragilidade dos homens. Parece-me que os homens estão abandonando suas armaduras e explorando um caminho diferente, onde aquele perfil de macho dominador ensinado pelos pais não tem mais vez.

Está muito claro que alguns homens estão se acomodando diante da força das mulheres. Isso não seria de todo ruim se essa mudança não estivesse causando um desajuste nos relacionamentos.


Como assim? Explico. Por muito tempo a mulher se aceitou incapaz, dependente e amordaçada. Foi podada pelo moralismo machista da igreja e queimada em praça pública. Perdeu o feitiço e o contato com a própria natureza. Foi forçada a abandonar sua vassoura e guardou no calabouço da alma seus livros cheios de conhecimento e magia. Com isso, o homem ganhou espaço e invadiu todo o território. Aprendeu e ensinou o egoísmo. Reinou absoluto no império dos relacionamentos.


Só que agora a história é outra. Os sutiãs foram jogados na fogueira e destas cinzas ressurgiu a Fênix no ápice da sua feminilidade. A mulher reconquistou seu espaço e ganhou notoriedade nas mais variadas áreas. Num piscar de olhos, o homem aproveitou a deixa e mergulhou nas profundezas do seu próprio ser, se permitindo explorar suas emoções e sentir algo que lhe fora negado por toda a vida: a sua própria essência. Acho justo.

Ainda não estamos nem na metade de um longo caminho. Mas, nesta etapa do processo, vejo que os dois lados estão parecendo formiga no açucareiro. Crianças se melecando com seus pirulitos de chocolate. Homens e mulheres estão se esbaldando com suas conquistas e cada qual fazendo birra para o outro, num processo de vingança tipicamente adolescente. Ficamos tanto tempo reclusos em nossos opostos que agora temos a necessidade de explorar o outro lado. Porém, estamos nitidamente caminhando em sentido contrário: as mulheres levantaram suas espadas e querem recuperar o tempo perdido, enquanto os homens parecem ter a necessidade de descansar por terem guerrilhado sozinhos por tanto tempo.


Por isso tanto desencontro. Mas, acredito que seja uma fase, uma parte necessária do processo de autoconhecimento e amadurecimento da humanidade. No final desta jornada não teremos mais a necessidade de um estar em cima e o outro embaixo. No jogo final estaremos todos no mesmo time, onde poderemos unir nossas potencialidades, sem rivalidade. Aí sim poderemos fazer um encontro real e prazeroso para os dois lados.


Thiago Guimarães]

Psicoterapeuta junguiano e apaixonado pelo que faz. Em seu consultório atende crianças, adolescentes, adultos e casais. Atua em São José do Rio Preto e São Paulo. É palestrante, ministra cursos, workshops e escreve sobre relacionamento, comportamento e bem-estar.

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